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terça-feira, 8 de abril de 2014

“Meu Pedacinho de Chão”: um olhar sobre a estreia

meu pedacinho de chão
Meu Pedacinho de Chão é uma proposta inusitada dentro da teledramaturgia global. O primeiro capítulo da história, exibido na noite de hoje (segunda-feira, 7), foi lúdico de cabo a rabo: dos cenários e figurinos aos diálogos e interpretações, absolutamente tudo remete a um profundo encantamento infantil, típico do universo da Disney ou do diretor hollywoodiano Tim Burton. Longe de fazer disso um demérito, a novela acerta e faz bonito dentro do formato a que se propõe, e só precisa aparar mais algumas arestas para não ofender – e afastar – a audiência adulta.
A direção de Luiz Fernando Carvalho é o grande atrativo e diferencial do folhetim. Acostumado ao gênero fábula – que o digam seus trabalhos em Hoje É Dia de Maria (2005) e A Pedra do Reino(2007) –, ele inova na linguagem técnica do folhetim, por meio de cortes e enquadramentos de câmera diferenciados, e enaltece na direção de arte a ótica pura e ingênua com que se narra a história. Tamanha competência e esmero na produção deixam claro que Meu Pedacinho de Chãonão se restringe de forma alguma às crianças, mas busca tocar todas as faixas etárias com arte e bom gosto.
Carvalho tampouco faz feio na direção de atores. Nomes como Osmar Prado (Coronel Epa), Juliana Paes (Madame Epa) e Emiliano Queiroz (Padre Santos) estão no tom exato de seus papéis, que possuem certa carga teatral sem perder de vista a linguagem televisiva. Destaque ainda para Johnny Massaro, muitíssimo à vontade na pele do controvertido Ferdinando.
Embora Meu Pedacinho de Chão seja um trabalho de encher os olhos, a trama corre o risco de pecar por alguns detalhes que soam não lúdicos, mas “infantiloides”. Um bom exemplo disso no primeiro capítulo foi a reação provocada pela chegada do trem que transportava Ferdinando, estremecendo (literalmente) a cidade e provocando uma comemoração a la “ciranda cirandinha” no Coronel e na Madame Epa. O mesmo vale para o momento em que, logo após sua chegada à Vila Santa Fé, Ferdinando é recebido por Rodapé (Flávio Bauraqui) e puxa ele mesmo a carroça que os conduziria à casa de seu pai, bancando o burro de carga – desnecessário e tolo. A abordagem pode ser infantil, mas o humor tem que ser adulto.
Meu Pedacinho de Chão é muito bem-vinda por trazer ares de encanto e novidade ao contexto atual da dramaturgia na Globo, em que boa parte das produções têm empacado no “mais do mesmo”. Uma prova de que ainda é possível agregar valor artístico dentro da cultura de massa.

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