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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Balanço final: “EM FAMÍLIA” foi a grande decepção do ano

laerte e luiza
 Para alívio da audiência e sobretudo da própria emissora, a Globo encerrou na noite da última sexta (18) uma das mais mal-sucedidas experiências da história da TV brasileira. Mesmo com o texto poético e a famosa “crônica do cotidiano” de Manoel Carlos, pode-se dizer queEm Família foi um completo equívoco. A trama amargou baixíssimos índices de audiência ao misturar personagens sem carisma algum em uma história que simplesmente nunca aconteceu.
Em Família parecia promissora em suas duas primeiras fases, centradas na disputa amorosa entre os amigos Laerte (Guilherme Leicam) e Virgílio (Nando Rodrigues) por Helena (Bruna Marquezine), que por pouco não terminou em tragédia. Porém, quando inicia-se a terceira fase, toda a expectativa vem abaixo: o prometido triângulo amoroso entre Helena (Júlia Lemmertz) e Laerte (Gabriel Braga Nunes) adultos e a filha dela, Luiza (Bruna Marquezine), jamais se desenvolveu como o esperado, e Helena tornou-se mera espectadora do romance proibido entre sua filha e seu ex-noivo.
Para piorar, Laerte e Luiza jamais convenceram como casal principal, devido ao perfil intragável dos dois personagens: ela, uma menina mimada e irritante, tão obcecada e cega de paixão por Laerte que não se freava nem mesmo por consideração aos pais – Virgílio (Humberto Martins) quase fora assassinado por ele na juventude; e Laerte, um homem grosseiro, misógino e perturbado, que vivia humilhando Luiza em suas crises de ciúmes, quando por outro lado a traía com qualquer uma que aparecesse.
Se a trama principal era um completo equívoco, as subtramas tampouco estiveram à frente. O mal de Alzheimer de Selma (Ana Beatriz Nogueira) – numa abordagem que, com pretensões demerchandising social, acabou caindo no humorístico –, o drama de Alice (Érika Januza) ao descobrir-se fruto de um estupro e, principalmente, o triângulo amoroso formado por Cadu (Reynaldo Gianecchini), Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Muller) foram decepcionantes para a audiência que seguiu a novela. Longe de ser a “história de amor” prometida pelo autor, soou de muito mau gosto Marina jamais ter respeitado a relação de Clara com o marido e o filho, dando em cima da assistente bem-casada com Cadu, o qual ainda por cima estava doente do coração.
vivianne-pasmanter
Na pele de Shirley, Vivianne Pasmanter foi um dos destaques do elenco de “Em Família”
A todos esses problemas somou-se o mais grave deles: a lentidão crônica do enredo. Era difícil não bocejar diante da TV assistindo à ausência quase total de ganchos folhetinescos, substituídos por conversas em barzinhos, cafés-da-manhã e reuniões familiares banais. O autor de tramas inesquecíveis como Por Amor (1997) e Mulheres Apaixonadas (2003) parece ter perdido a mão para os bons melodramas – o que não é exclusividade do trabalho atual, mas já se nota em toda sua obra posterior a Páginas da Vida (2006). É inegável, sim, que o autor sabe escrever personagens e textos profundos como nenhum outro – mas diálogos inspirados e perfis psicológicos brilhantes de nada servem quando não são sustentados por uma boa narrativa, principalmente quando se trata de uma telenovela.
Poucos e bons
É claro que, como todo folhetim, Em Família teve também seus pontos positivos. Pontos estes que praticamente se resumem a uns poucos nomes do elenco, que, mesmo mal-aproveitados, conseguiram se sobressair. Vivianne Pasmanter divertiu como a perua Shirley, embora a promessa de que fosse a vilã da história nunca tenha se concretizado de fato. O mesmo vale para Angela Vieira na pele de Branca, que despertou o amor e o ódio do público com seu jeito arrogante e sem papas na língua. Duas personagens marcantes, que poderiam e deveriam ser reaproveitadas em contextos melhores.
Também se destacaram Reynaldo Gianecchini como Cadu, numa interpretação suave e carismática que caiu como uma luva ao personagem, e Thiago Mendonça, cujo Felipe chamava a atenção pela simpatia (dentro de uma galeria de tipos apáticos ou mal-humorados) e pela abordagem forte e pertinente do alcoolismo que representou no contexto da trama.
O grande destaque, talvez, tenha ficado por Vanessa Gerbelli. Juliana era um daqueles tipos ricos, controversos e ao mesmo tempo absolutamente verossímeis que só Manoel Carlos sabe construir – mas que, ao contrário dos demais de Em Família, foi bem-aproveitado em uma trama interessante e chamativa. A obsessão da personagem em ser mãe tornava-a um tipo cheio de possibilidades, tanto para o bem como para o mal, coisa que Vanessa soube explorar com maestria. Vale ressaltar a relação de Juliana com os ex-maridos Nando (Leonardo Medeiros) e Jairo (Marcelo Mello Jr.), este último que caiu especialmente no gosto do público oscilando entre o violento e o divertido.
Em Família acaba como uma péssima lembrança para a Globo e para o currículo de Manoel Carlos. Outrora um dos autores mais benquistos da emissora, ele parece ter perdido a mão para emocionar e a sensibilidade para dialogar com o público. Há quem diga que Em Família terá sido sua última novela. E francamente, se for para retornar com trabalhos desse tipo, é melhor que seja assim.

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